Estudo sobre vírus da Covid-19 em Maricá é destaque na Globonews

Chefe do laboratório de biologia molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e  diretor do Laboratório de Diagnóstico Molecular Dr. Francisco Rimolo Neto, em Maricá, o virologista Amilcar Tanuri coordenou o grupo de estudo para mapear como o vírus da Covid-19 circula no município de Maricá. 

Os métodos e resultados da pesquisa e como a doença afeta determinados grupos foram tema de entrevista neste sábado (31/10) para o canal Globonews, no Jornal Edição das 18. Tanuri comentou o relatório do 1º Ciclo Sentinela de Maricá, um dos mais detalhados e abrangentes estudos sobre a Covid-19 em execução no momento. Avaliações da Secretaria de Saúde do município mostram a situação da pandemia sob controle na cidade, um resultado que ações como a pesquisa, ajudam a manter. 

O documento elaborado com a Secretaria de Saúde e com o Instituto de Ciência e Tecnologia de Maricá (ICTIM) foi baseado em uma coleta de exames dos residentes para saber a prevalência, ou seja, o teste de soro que mostra a quantidade de pessoas que teve contato com o vírus no passado e a incidência, que é o PCR.

Para a elaboração da pesquisa, as equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) da secretaria foram deslocadas para 38 zonas censitárias, baseadas na classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Após a coleta dos exames feitos por testes rápidos, 8% das pessoas amostradas apresentaram algum anticorpo contra o vírus. Ou seja, em termos estatísticos, dado o tempo de ocorrência, as medidas de contenção adotadas, como o isolamento social e as restrições de funcionamento, se mostraram eficazes.

O virologista, no entanto, faz um alerta. “Isso é um bom sinal, mas quer dizer que nós temos 92% da população que ainda não tiveram contato com o vírus e podem estar suscetíveis. Por isso,  tem que ter um cuidado maior na prevenção”, alertou o virologista durante a entrevista. 

Em relação ao vírus ativo circulando, somente duas pessoas de um total de 376 amostras deram PCR positivo. Apesar do baixo número de infectados, segundo Tanuri, a taxa de contágio ainda está longe do ideal. 

“Se nós extrapolarmos a taxa para 100 mil habitantes, só com o pessoal de PCR são mais ou menos 520 casos por 100 mil habitantes, que é uma taxa que ainda não é segura. Para se ter uma ideia, o grupo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da Universidade de Harvard nos EUA – agência responsável por questões de saúde e serviços humanos – calcula que uma população para estar segura tem que estar abaixo de 350”, afirmou.

Um dado importante apontado pelo estudo foi que mais da metade dos indivíduos que apresentaram sorologia positiva, ou seja, os que tiveram contato com o vírus estava assintomático. “Isso mostra que não devemos relaxar com as regras de ouro como o distanciamento social, lavagem de mãos e o uso de máscaras. Assim, evita que uma pessoa assintomática possa transmitir o vírus para outras pessoas. Então, a máscara é uma boa medida e vimos que isso é importante”, ressaltou o médico.

Na entrevista, o coordenador do estudo apontou que quando se faz uma análise de pessoas assintomáticas, a taxa de PCR positivo registrou 1/2%, uma porcentagem diferente de quando as pessoas sintomáticas procuram os polos de atendimento específicos para Covid, que é de 25%.

Na opinião de Tanuri, o estudo mostra uma tendência de desaceleração do contágio do vírus na cidade, assim como tem se observado em todo o Estado do Rio de Janeiro.

“A circulação baixa de vírus na qual somente dois indivíduos em todo o estudo tiveram PCR positivo, ou seja, apresentaram vírus ativos na nasofaringe, mostra que ele ainda circula na população, mas não com uma taxa explosiva. Durante abril e maio, por exemplo – meses de pico da pandemia – essa taxa deveria estar acima de 2.000 casos por 100 mil habitantes. Agora está bem menor. Isso mostra que realmente a epidemia está em uma fase bem descendente no Estado do Rio de Janeiro, corroborando com os dados de casos novos e mortos. Mas temos sempre que estar vigilantes em relação aos cuidados gerais para isso não escalonar de novo e voltar a termos problemas como os na Europa que nós vimos”, alertou.

A pesquisa vai ser repetida a cada 15 dias para ter uma noção da tendência da epidemia nesses locais e saber quando será possível o retorno dos alunos no ambiente escolar, uma vez que sabemos que ainda é necessário fazer o distanciamento social, a fim de evitar o aumento dos casos no futuro.

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