Rio Mumbuca

Fonte de histórias e marca identitária do povo de Maricá

O bairro da Mumbuca – ou Mombuca – está situado no 1º distrito de Maricá,
cuja sede é o Centro. Há variação na grafia e na pronúncia, ocorrida ao longo das
gerações. Até os anos 60, as pessoas escreviam as duas formas, o que identificava o
grupo social do qual pertenciam, uma vez que os pescadores, que residiam na região,
denominavam-na de “Mumbuca”; já os políticos chamavam-na de “Mombuca”, devido
ao significado de sua toponímia. Várias discussões foram travadas na Câmara
Municipal de Maricá em busca da definição da escrita correta. Atualmente, os
munícipes adotaram “Mumbuca”, que foi oficializada pelas placas de trânsito, projetos
sociais e políticas públicas municipais.
Uma hipótese é que a denominação do bairro origina da espécie de abelhas
Geotrigona Mombuca, que não possui ferrão e é mansa. É uma espécie que constrói
ninhos subterrâneos, provavelmente ocupando panelas de antigos sauveiros. Suas
colônias podem apresentar de 2.000 a 3.000 abelhas e produzem um mel de boa
qualidade.
Na região havia muitas casas de abelhas porque os moradores faziam cercas
vivas com papoulas vermelhas, erva de gato, gerânio vermelho, zínia, ou ciganinha,
herinha em forma de cipó, funcho e, nos quintais, muitas malvas e coentros. O mel era
muito doce e vendido para o exterior, devido à sua qualidade. O tipo de abelha mais
encontrado na localidade é do tipo meliponídeos, popularmente conhecida como abelha
sem ferrão ou papa-terra. Os indígenas, seus primeiros habitantes, chamavam-nas de
“mandaçais” ou “vigia”, pois sempre havia uma na entrada da colmeia, razão pela qual
eram conhecidos os “apanhadores de abelha”.
A toponímia da denominação da localidade nos auxilia na compreensão de suas
origens e, quer dizer, “casa de abelhas”. A referida palavra apresenta outros

significados, sendo eles: nome de um antigo mercado da região, rico na venda do mel,
situado na rotatória recém construída perto da ponte do local, do lado do centro da
cidade.
O rio Mumbuca corta diversos bairros da cidade, indo da nascente no Silvado à
sua foz em Araçatiba, recebendo um grande volume de águas das chuvas, ajudando a
escoar as mesmas e evitando enchentes. Todavia, o rio encontra-se assoreado,
influenciamdo o curso das águas e, aumentando, assim, a possibilidade de recorrência
de enchentes. Em outros tempos, era límpido e fonte de sobrevivência para muitos
moradores com a possibilidade de pesca, além de servir como meio de diversão para o
povo ao possibilitar banhos refrescantes.
Atualmente, podemos encontrar várias capivaras na beira do rio, chamando a
atenção de quem passa. Esses mamíferos são animais calmos e mansos, de pelagem
marrom, necessitando viver em locais próximos ao ambiente aquático, uma vez que
auxilia na reprodução, sobrevivência e esconderijo de predadores.
Como fonte de inspiração de muitas histórias, surgiram algumas narrativas,
dentre elas aquela transmitida por Antonia Bittencourt Sampaio, que remonta a década
de 1910. Este rio é formado pela junção de dois outros, a saber: Itapeteiú e Ubatiba.
Conta-se que, no início do século XX, este rio era tão majestosamente abençoado pela
natureza que não havia em todo território maricaense águas mais cristalinas e doces do –
que as que nele corriam e por tal façanha passou-se a chamar Rio Mombuca, ou seja,
“Rio das Abelhas”, uma vez que as mombucas eram responsáveis pelo mel de suas
águas. Era uma atração turística da vila de Maricá e parada obrigatória aos trens para
abastecimento de águas. Há uma crença em torno deste rio que afirma que os visitantes,
ao descerem do trem e beberem suas águas tão doces, jamais de afastavam da cidade.
Joaquim Eugênio dos Santos auxiliou no desenvolvimento do bairro, como, por
exemplo, o abaixo assinado que organizou junto com os moradores e encaminhado ao
então Presidente da Câmara Municipal de Maricá Luís Antônio da Cunha, solicitando a
construção da ponte na localidade, tendo em vista melhorar o deslocamento em dias de
fortes chuvas e encurtar o trajeto, já que as pessoas tinham que percorrer pela linha do
trem para chegar até o centro da cidade. O pedido foi aceito e a referida ponte foi
construída no final dos anos de 1950 e inaugurada com uma grande festa com a
participação da banda de música do Caju, da família Reis, além da presença de vários
pescadores com suas canoas e alunos do Grupo Escolar Elisiário Mata, acompanhados

das professoras Zenaide Melo e Dalva Melo. Todavia, a primeira ponte foi totalmente
destruída pela enchente devastadora de 1960.
Segundo narrativas, os antigos maricaenses acreditavam que as enchentes do Rio
Mumbuca eram provocadas pelos sapos que infestavam o lugar e, que a cada pulo de
dezenas deles, alagamentos ocorriam em todo o seu percurso.
De acordo com relatos da historiadora Maria Penha de Andrade e Silva, quando
estudava no ginasial, junto com seus colegas, passavam pelo caminho de Ubá, onde
hoje é a Avenida Francisco Sabino da Costa, para contemplarem o belo Rio Mumbuca e
ganharem peixes. Era um hábito vivenciado após a saída do turno escolar do colégio
que funcionava no Grupo Escolar Elisiário Matta. Outra narrativa é que havia um
movimento cultural no bairro que comemorava o dia do município, 26 de maio,
anualmente, além das festas religiosas e cavalgadas.
O Rio Mumbuca se constitui em uma memória afetiva dos munícipes e, através
da sua ponte, podemos perceber o simbolismo da construção na história de Maricá, se
apresentando como um elo entre o passado, o presente e o futuro.

A abelha Geotrigona mombuca, espécie que provavelmente deu origem ao nome do
local (Fonte: Internet)
Essa planta existia em abundância na Mumbuca e é conhecida popularmente como
“Jurema Branca”. Tem função polinizadora, por isso as abelhas tinham no local seu
preferido habitat (Fonte: Internet)
Moradores tomando banho no Rio Mumbuca (Acervo de Maria Penha de Andrade e
Silva)
Ponte da Mumbuca nos dias atuais (Fonte: Internet)
Capivaras na beira do Rio Mumbuca (Fonte: Internet)

Equipe de pesquisa:
Maria Penha de Andrade e Silva – Historiadora
Renata Gama – Arquiteta Urbanista
Renata Toledo Pereira – Mestre em Educação e Historiadora

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